"Seja bem-vinda (o) ao meu território de arte, corpo e memória.”


Quem é Lia Khey
Lia Khey é artista visual, atriz e comunicadora.
Sua obra nasce do encontro entre a própria existência, o corpo e a memória ancestral.
Trabalha principalmente com o têxtil, a luz e a expressão como campos de elaboração sensível. Sua criação atravessa a experiência vivida: o corpo como território, a memória como matéria, a ancestralidade como força ativa de consciência e transformação.
Em seus trabalhos, os fios não são apenas fios — são vínculos, cordões e passagens.
Sua pesquisa artística investiga temas como o feminino, o pertencimento, a espiritualidade e a cura ancestral. Há sempre um movimento de retorno ao útero simbólico, à origem, ao que foi silenciado e esquecido — e, simultaneamente, um impulso de transmutação: da dor em linguagem, da ausência em forma, do invisível em matéria.
Cordão Umbilical
Cordão Umbilical é a obra central da pesquisa de Lia Khey e nasce como uma homenagem direta à sua mãe. Construída a partir de fios de barbante de algodão, a obra transforma o têxtil em extensão do corpo e da memória, evocando o vínculo primordial como força contínua de sustentação e pertencimento.
Co
Minha história
O desejo de me tornar artista e de estudar sempre existiu em mim, mesmo quando tudo ao redor apontava para a sobrevivência. Venho de uma infância atravessada pela escassez, onde sonhar parecia um gesto distante, quase impraticável. Ainda assim, o sonho permaneceu — insistente, silencioso, vivo.
Minha mãe é a origem profunda desse impulso. Órfã aos nove anos, alfabetizou-se sozinha, aprendendo a ler e escrever em papel de pão, com um cotoco de lápis. Autodidata, pintava, bordava, desenhava, consertava máquinas, inventava soluções para existir. Mesmo sem condições materiais, foi ela quem sempre me incentivou. Hoje reconheço: minha mãe também era artista — e é a principal inspiração da minha obra.
Já adulta, formei-me em teatro e TV, e me aprofundei em meus estudos em cinema, com foco em roteiro, além de filosofia, espiritualidade e outras áreas do pensamento. Foi nesse percurso que encontrei, à beira-mar, um galho de árvore em forma de chifre de búfalo. Uma intuição se revelou. Decidi criar uma obra-têxtil. O macramê simplesmente brotou.
A partir daí, minhas criações passaram a ganhar espaço e visibilidade em projetos como a CasaCor, com o Portal Ixchel, inspirado na deusa maia da fertilidade; na DW! Semana de Design de São Paulo, com a série Cordão Umbilical — Eu Céu, Eu Mar; e em outras exposições e instalações. Fui também responsável pela cenografia da turnê de Daniela Mercury e Gabriel Mercury, criando esculturas monumentais do Cordão Umbilical, em homenagem ao vínculo entre mãe e filho.
Hoje, minha prática se consolida como um percurso autoral onde arte, corpo, memória e ancestralidade se entrelaçam em matéria viva.






